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© 2018 Marc Ohrem-Leclef

Artist Statement

English (Português abaixo)

In 2006 I followed news of the infamous destruction of Beijing’s historic
Qianmen district ahead of the 2008 Olympic Games. The fact that an event
which is to embody the spirit of unity directly causes the destruction of historic neighborhoods and removal of thousands of residents struck me deeply.


Olympic Favela (2012-2016) is a collaborative photography and video project that visualizes the resistance of residents in 14 of Rio de Janeiro’s favelas against policies of forced removals, implemented by the city government in preparation for the 2016 Olympic Games.

In 2012, in response to news reports of widespread evictions of residents from their homes and businesses through Rio's housing authority Secretaria Municipal de Habitação (SMH), I began photographing the people affected by these evictions, as well as the residents organizing resistance to these policies.

Olympic Favela consists of two series of portraits:
In one series of environmental portraits, the residents are photographed around their homes, many of which have been designated for removal by SMH with spray-painted code numbers. In the other series, residents take a performative stance and pose with flaming emergency torches in their communities. In these images my collaborators embrace the opportunity to represent their community, their struggle, and their strength as they take an active role in performing their resistance for the camera. 

Referencing iconic imagery ranging from Delacroix’s Liberty Leading the People and Bartholdi’s Liberty Enlightening the World to news imagery of the Arab Spring, the residents' gesture and use of the torch in these photographs invoke ideas of liberation, independence, crisis and resistance, while also making use of the core symbol of the Olympic Games—the torch.

Together, the two series of portraits reflect upon themes of belonging and community, and they confront the ideals of the Olympic games: What is cause of celebration and togetherness for some partaking in the mega events, for many of Rio de Janeiro's citizens leads to worsened social-economic disparity and the loss of their home and community.

Copies of letters written to the head of SMH and the Rio 2016 Olympic Games Organizing Committee inviting them to participate in the project are included. None of the politicians and committee members participated. The portrait of Major Priscilla Azevedo of the Military Police of Rio de Janeiro is the only exception, creating a representation of the Executive Branch's role in policing and enforcement of eviction policies in favela communities. Major Priscilla Azevedo headed a largely successful effort of 'pacification'. Pacification aimed to rid communities of drug- and gun-trafficking through an increased presence of para-military police-units. It has been implemented to date in many favelas, but funding for the initiative ran out even before the beginning of the Olympic Games.

Major Priscilla Azevedo remained the only representative on the side of city or state agencies willing to participate in the project.


The book OLYMPIC FAVELA was published by Damiani/DAP ARTbook in 2014.
The short documentary film OLYMPIC FAVELA premiered at the Seattle Intl. Film Festival in 2016.
Please visit www.olympicfavela.com.



Declaração do artista


Em 2006, acompanhei as notícias da infame destruição do distrito de Qianmen, em Pequim, às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2008. O evento, pensado para dar corpo a um espírito de união, estava causando a destruição de bairros históricos e a remoção de milhares de moradores. Este fato me marcou profundamente.

Favela Olímpica (2012-2016) é um projeto colaborativo de fotografia e vídeo que torna visível a resistência dos moradores de 14 favelas do Rio de Janeiro diante das políticas de remoção forçada, implementadas pelo governo municipal durante a preparação para os Jogos Olímpicos de 2016. Em 2012, em resposta às notícias de remoções de moradores de suas casas e estabelecimentos comerciais por ação da Secretaria Municipal de Habitação (SMH) do Rio, comecei a fotografar as pessoas afetadas por essas remoções, bem como os moradores que organizavam a resistência a essas políticas.

Favela Olímpica consiste em duas séries de retratos:
Em uma série de retratos no espaço das comunidades, os moradores são fotografados junto a suas casas, muitas das quais haviam sido assinaladas para remoção pela SMH com códigos pintados em spray. Na outra série, os moradores adotam uma atitude performativa e posam com sinalizadores de emergência acesos em suas comunidades. Nessas imagens, meus colaboradores abraçam a oportunidade de representar sua comunidade, sua luta e sua força ao assumir um papel ativo, performando sua resistência para a câmera.

Tomando como referência um repertório de imagens que vão desde A Liberdade guiando o povo de Delacroix e A Liberdade iluminando o mundo de Bartholdi até fotografias jornalísticas da Primavera Árabe, o gesto dos moradores e o uso da tocha nessas fotografias evoca ideias de libertação, independência, crise e resistência, ao mesmo tempo em que utilizam o principal símbolo dos Jogos Olímpicos – a tocha.

Juntas, as duas séries de retratos refletem sobre temas como pertencimento e comunidade, e confrontam os ideais dos Jogos Olímpicos: o que é motivo de celebração e união para alguns – que participam dos megaeventos – representa, para muitos cidadãos do Rio de Janeiro, o aumento da disparidade socioeconômica e a perda de seus lares e de sua comunidade.

O projeto inclui cópias das cartas enviadas para os chefes da SMH e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016, convidando-os para participar do projeto. Nenhum dos convidados – fossem políticos ou membros do comitê – tomou parte nas atividades.

O retrato da Major Priscilla Azevedo, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, é a única exceção, criando uma representação do papel do Poder Executivo no policiamento e na remoção forçada das comunidades faveladas. A Major Priscilla Azevedo liderou um esforço largamente bem-sucedido de “pacificação”. Pacificação essa que objetivava livrar as comunidades do tráfico de drogas e de armas através de uma presença cada vez maior de unidades policiais paramilitares. Esse processo já havia sido implementado em muitas favelas, mas o financiamento para a iniciativa acabou antes mesmo do começo dos Jogos Olímpicos. A Major Priscilla Azevedo foi a única representante de agências do estado ou do município a participar do projeto.


O livro Favela Olímpica (Olympic Favela) foi publicado pela editora Damiani / DAP ARTbook em 2014. 
O curta-metragem documentário Favela Olímpica (Olympic Favela) estreou no Festival Internacional de Cinema de Seattle em 2016.
Para mais informações, visite o site  www.olympicfavela.com.

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